quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Há voltas que me deixam tonta de tantas saudades....

Acordo um dia de manhã, não há sol, o tempo está meio cinzento como se tivesse sido pintado com aguarelas. Saio de casa e mal bato a porta para não incomodar os vizinhos. Pego no carro e aí vou eu para mais um dia...na cabeça mil perguntas sem uma resposta. Paro no barco aqueles escassos minutos e fico à toa sem saber em que lugar sentar. Ao meu lado estará sempre alguém, alguém com tão estranho com uma vida tão estranha, tão estranha quanto a minha! O dia fica sempre mais cinzento quando estranhamos algo. É sempre estranho estranhar!O tempo de viagem termina mas nem por isso deixo de estranhar. Alguém respira, pensa, age, observa, lê, fixa, fala, adormece...ao meu lado. Faz tantas coisas que eu estranho de tanto estranhar. Lá saio finalmente a passo acelerado natural da cidade de Lisboa e corro sem necessidade de tanta presa para o eléctrico. Apanho-o e vou finalmente para um dos locais que outrora fora especial. Desculpem mas sou tão agarrada ao Passado como sou agarrada ao café. Saio e lá ando eu por ruas que outrora andava feliz da minha vida com uma importante camarada de tão escassos anos. Um anjo perdido algures... A vida realmente é um circo onde todos os dias ora somos malabaristas ora somos palhaços. Eu feita palhaça lá me dirijo para a minha escolita onde a saudade me aperta vagarosamente o coração e me faz faltar o ar. Custa-me imaginar que talvez tenhas estudado ali camarada, imaginar que naquelas ruas outrora fostes tão feliz. Custa-me relembrar as nossas conversas, saídas, noitadas de estudo árduo, concertos, bebedeiras, cigarritos na praia... sempre entre lágrimas e imensos sorrisos. Custa-me ir ter contigo todos os dias e saber que jamais te irei encontrar. Custa-me pensar que ainda continuo a sentir a tua falta e que sempre que não falo com ninguém sobre isso me caiem lágrimas de Inverno rigoroso pela face. Acima de tudo, custa-me saber que esse condutor que te vitimou não era ilusionista. É impossível não te ver por ali, parece que insistes aparecer por todo o lado. Há coisas incríveis e até nas paragens me dás pequenos sinais. Hoje mudaram a publicidade e apareceu o nome do teu perfume favorito. Como alguém dizia, pormenores, pormenores que fazem a diferença, que aumentam a minha saudade. Quem me dera receber um abraço agora. Vamos a Palma de Maiorca? E se alguém inventasse uma máquina de viajar no tempo? A vida dá tantas voltas que às vezes ficamos tontos!
12/11/2009

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