segunda-feira, 7 de setembro de 2009

A timidez é uma condição alheia ao coração, uma categoria, uma dimensão que desemboca na solidão.

Pablo Neruda

Se não puderes ser um pinheiro, no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.

Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.

Pablo Neruda

terça-feira, 25 de agosto de 2009

O amor é fodido (Miguel Esteves Cardoso)

«Eu amo-te!», gritei.
«O que é que isso tem de extraordinário?», respondeste beijando-me pela primeira vez.
«Para ti pode não ser extraordinário mas para mim é.»
«Cala-te. Sabes lá se eu gosto de ti também...?»
«Gosto! Foi o que disseste. Foi..."gostar" o verbo que empregaste. E eu não tive coragem de explicar-te que como tu gostas de mim, eu gosto de ananás, de sair à noite, de comprar azulejos em antiquários. Gosto de restaurantes à beira-mar quando acordamos às cinco da tarde e somos os últimos a almoçar ou os primeiros a jantar, nunca fica exclarecido. Por estas e por outras estarás sempre eu contigo e tigo com mim. Tornaste-me num perito da saudade, num impróprio para consumo. E eu nem te pedi nada. Não fui eu quem falou primeiro em ser feliz. Vendo bem, as pessoas não são felizes. Sofrem sim de uma doença boa, que é a ideia da felicidade. Com quê. Com quem. Quando. Mas porquê ninguem pergunta. Que pena. São nove da noite e eu pergunto-me: porque é que fodes o amor? E respondo-me: porque não resistes. Tem de haver escombros. Tem de haver esperança. Tem de haver progresso para pior e desejo de regresso a um tempo mais feliz. E pronto Teresa, fazes-me acreditar que um homem desapaixonado é que é um verdadeiro homem. Como nos filmes. Durão. Porque em contrapartida os que dizem que te amam são moles e meninas. Mudam de voz. Fazem olhos de perdigueiro. Começam a gostar de doces. Têm ciumes. Têm filhos. São mamãs sem mamas. Não. Esquece. Tens talento mas eu quero ter a angustia ou o prazer de te provar que ainda temos muito tempo. E se o amor é fodido, peço-te, deixa-me continuar a fodê-lo contigo.»

SAUDADE

Sou uma infeliz que vagueio pelas ruas da vida à procura. Procuro-me, procuro-te e não me encontro, não te acho. Observo o vento e sinto a chuva. Sinto o calor das roupas quentes no corpo mas o vazio nenhuma consegue aquecer. Levanto-me da cadeira e ela arrefece tal como a tua presença no meu passado. Sou uma infeliz nestas ruas onde não me encontro...Monotomias ridículas em cada esquina que nos impedem de sentir o vento a brincar.
07/08/2009

Pensamento Budista

A nossa existência é transitória como as nuvens de Outono. Observar o nascimento dos seres é como olhar os momentos da dança. A duração da vida é como o brilho de um relâmpago no céu, como uma torrente que se precipita montanha abaixo.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Não se calem...

Calam-se as vozes, cala-se o vento , cala-se a esperança! Não deixem que isto aconteça. Não se calem!!! Basta de injustiças.

sábado, 5 de julho de 2008

Mentirosos aqueles que decidem acreditar...

Aquela frase "pipi" que diz: "se é o sonho que nos guia, a nossa vida nunca será podre", passa a ser definitavamente paradigmática na minha vidinha! Porra, para quê iludir?! Culpo quem a escreveu mas, por outro lado compreendo o indivíduo, até porque quando a escreveu não vivia na nossa época! Se ele a escrevesse agora, seria mais do tipo "se é o sonho que nos guia, bem podes tirar o cavalinho da chuva e andar molhado a toda a hora"!